P.e Jorge Ferreira
 
Opinião

19-04-07

Eng.º ou Sr. José Sócrates????

Nos últimos tempos tem sido um grande falar sobre as aptidões académicas do Primeiro Ministro, do Senhor (talvez) Engenheiro José Sócrates.

Certamente esta situação da Universidade Independente além de ser vergonhosa é extremamente perigosa e prejudicial para a credibilidade da formação em Portugal. Seria de esperar que, aqui pelo nosso (cada vez mais) pequeno quintal da periferia global, os verdadeiros criminais começassem a pagar as patifarias realizadas. A verdade é que no nosso pequenino país à muito tempo que ninguém é chamado às responsabilidades.

No que respeita ao Primeiro Ministro o grande problema não é a escolaridade ou a falta dela. A muita gente formada que não é capaz de desempenhar qualquer função (desenrasca-se com o dinheirinho dos velhotes e com o tráfico de influências) e muita gente com pouca escolaridade que teve e tem sucesso nos negócios e na vida.

No caso politico penso que a questão deve ser direccionada noutro sentido.

Primeiro: que tipo de esclarecimentos são oferecidos às pessoas durante a campanha eleitoral, para que o voto democrático seja verdadeiramente responsável e informado?

Segundo: que tipo de jornalismo em geral e político em particular é feito em Portugal. As noticias são uma procura de títulos bonitos ou fruto de um trabalho de pesquisa sério? Temos animadores de Talk Shows ou jornalistas profissionais? O sensacionalismo prejudica e impede a profissionalização. A imprensa na democracia têm um papel fundamental de controle e garante; poderíamos dizer (indevidamente) de policiamento no que respeita a comportamentos e contradições; de chama à responsabilidade e à honestidade.

Terceiro: mais importante do que descobrir que estudos tem o Primeiro Ministro é importante descobrir se é mentiroso e se recorre aos suborno e à corrupção para alcançar os objectivos desejados. Se este for o caso, dadas as condições do Pais, as reformas começadas e as promessas feitas, meus amigos estamos mas é lixados, para não dizer outra coisa mais pesada e mais verdadeira.


01-03-07

Centro Recreativo e Cultural de Castedo

        Na ocasião de mais um aniversário do Centro Recreativo e Cultural do Castedo, parece-me oportuna uma reflexão sobre o mesmo e respectivos mecanismos.

Após alguns anos de inactividade, que se seguiram a anos de uma actividade a Banho Maria, a associação encontra-se agora numa nova fase. Certamente a nova direcção tem como fraqueza a inexperiência no campo das políticas e dos tráficos de influências, mas tem como força motriz a boa vontade e o rigor. Porém não se justificam as dificuldades e desilusões que a nova direcção tem tido de enfrentar.

Estes meses de nova direcção têm sido marcados pela frequência e novidade das iniciativas, mas também pela pouca adesão da população.

Esta realidade provoca perplexidade e convida a uma reflexão.

Na nossa sociedade capitalista, consumista e individualista, o associativismo é uma forma de humanização da sociedade. Uma forma de por uns momentos e em algumas actividades esquecermos um pouco os nossos interesses individuais e colaborar nos objectivos comuns.

Parece porém que o Castedo é incapaz de tal atitude. A única e sempre presente pergunta é: "o que ganho eu com isso". Não admira portanto que todas as iniciativas de carácter associativo estejam destinadas ao fracasso. Pensemos em Adegas Cooperativas e coisas parecidas. Enquanto o povo trasmontano for caracterizado pelo bairrismo e pelo individualismo, enquanto a rivalidade e a inveja comandar a nossa tradição e a nossa cultura, enquanto a nossa mentalidade for fechada e pequena, não haverá outro destino do que o continuo empobrecimento.

Entristece saber que rivalidades políticas, teimosias pessoais e opiniões mal formadas impedem que a vida social e cultural possa ter espaço na nossa pequena aldeia. Entristece saber que a única actividade com futuro seja o consumo de álcool e o comentar da vida alheia. Entristece saber que o empobrecimento, a desertificação e consequente morte da nossa aldeia seja o destino.

Aproveito também para agradecer a boa vontade daqueles que generosamente consagram o seu tempo (e não só) para lutar contra a corrente. Parabéns aos jovens inexperientes e idealistas que se empenharam e empenham em animar a vida do Castedo. Certamente cometeram e cometem erros, mas só quem não faz absolutamente nada é que não erra.

Assim parabéns à direcção do Centro e esperamos que não desanimem, mas nos surpreendam sempre com as suas iniciativas inovadoras e corajosas. Quem conseguir fazer melhor seja bem-vindo, os outros pelo menos tenham a decência de calar as criticas e falatórios.


29-01-07

Aborto

Por estes tempos o aborto, ou a interrupção voluntária da gravidez, é o tema para todos os profissionais de opinião e para todas as conversas. Vou também eu, ainda que sem grandes qualificações para isso, meter-me na confusão.

Uns dizem que a lei sobre o aborto é tema político, outros que é tema económico, outros que é tema religioso. Há quem afirme que devem ser somente as mulheres a decidir.

Eu penso que esta questão é uma questão de vida. E quando se trata da Vida todos temos que opinar e sobretudo actuar. Não podemos ser simples espectadores num tema tão importante como este. Há que pensar na vida daquelas crianças que poderiam nascer e são condenadas à morte. Há que pensar na vida daquelas mulheres que, porque o aborto é ilegal, se confiam às mãos de carniceiros sem escrúpulos, que neste momento fazem abortos sem condições mínimas.

O discurso sobre o Aborto deveria ser oportunidade para um discurso mais amplo sobre a vida e sobretudo sobre qualidade de vida. Mas sobre a vida e a qualidade de vida de todos, não só de um grupo de privilegiados. O nosso bem-estar não se pode defender com todos os meios. Os fins não justiçam os meios, muito menos nestes casos de comodismo, egoísmo e bem-estar absoluto. Nos nossos dias as palavras sacrifício e renúncia, são aceitáveis somente se estão estritamente ligadas á beleza. Para ser bonitos podem-se fazer todos os sacrifícios possíveis, para outras coisas não. Nem sempre a beleza é qualidade de vida, já o vimos no noticiário.

O tema de fundo é sempre o mesmo, quem tem direitos sobre a vida de quem. Tem a mãe direito de vida e de morte sobre o filho? Tem a sociedade direito de vida e de morte sobre quem infringe as regras? É minha opinião muito pessoal que ninguém tem direitos sobre a vida, mas todos temos deveres para com ela. Seja ecológicos, éticos, ou morais. A vida deve ser defendida e incentivada. Não com 250€ por nascimento, mas com a formação de uma consciência social, que é bem diferente do pensar dominante, fruto das paródias das telenovelas. Certamente uma juventude formada por “Floribelas” e “Morangos com Açúcar” e outros semelhantes, não promete nada de confortante para o futuro. Uma juventude que não tem opinião própria e renunciou a pensar, dificilmente aportará algo de inovador.

Outra grande questão, desta discussão sobre a interrupção “voluntária” da gravidez, é o saber quando o feto é pessoa. Porque queremos dar a impressão de que na nossa democracia toda a pessoa tem direitos e estes são respeitados. Infelizmente começo a não acreditar muito nesta quimera. Quantas vezes o Aborto terá mesmo sido voluntário por parte da menina. Quantas vezes terá mesmo ela tido oportunidade de ponderar todos os aspectos? E quando for legal a consciência será maior? Ou será mais: “tanto é legal, não há problema”; “anda lá não te vai acontecer nada, o governo até paga a despesa”.

Temos de começar a ter consciência que nas nossas democracias capitalistas as pessoas não têm todas os mesmos direitos. Sempre houve e sempre haverá os indesejados. Uns pela escolha de vida que fizeram, outros pelo simples facto de existir. Pelo simples facto de que a sua existência por algum motivo se tornou incomoda para nós. Invadiu o espaço que pensamos fosse nosso.

Outra dificuldade que este referendo me põe pessoalmente é que se fala de legalização da interrupção voluntária da gravidez, mas não se especificam os moldes dessas legalidade. O que significa exactamente legalizar neste caso concreto. Ainda não tenho uma ideia clara. Talvez o resto dos portugueses, a tenha.

Como Padre não posso ter outra posição do que aquela que defende a vida. Penso que é nosso dever defender sempre e em qualquer circunstância a vida. A maravilha, direi mesmo o milagre da vida. Os opositores do costume da Igreja vão recordar o passado da Igreja (Inquisição e outros semelhantes). A Igreja nem sempre foi coerente. Possivelmente nem mesmo hoje o é. Mas penso não é a única. Infelizmente a história passada deixa marcas e cicatrizes em todos nós. Todos nós temos coisas na nossa vida das quais não nos orgulhamos, mas isso não pode ser impedimento a desejar fazer melhor, a ser melhor.

Penso sinceramente que neste discurso é necessário ter em consideração a dignidade e a qualidade da vida. Da criança porque merece ter acesso à vida e é motivo de esperança para este mundo fechado no egoísmo. Da mãe porque não pode ser reduzida a objecto de prazer que se usa e manipula. São muitas as mulheres que depois de fazer um aborto carregam a culpa por muitos anos, uma mágoa que dificilmente se pode curar.

Se fazemos da vida uma questão de luta politica então a política aparece no seu pior. Muitas vezes os ideais políticos se tornaram em fomento de massacres. Certas ideologias políticas tendem constantemente em desbocar em extermínio de vidas humanas.

Do meu limitado ponto de vista o ideal seria proteger a vida dos fetos, dando-lhes a possibilidade da vida. E proteger a vida das mulheres, ainda que contra a lei tenham decidido matar outro ser humano, que isso não seja motivo para uma condena á morte na mão de carniceiros sem escrúpulos, que pensam somente em arredondar o salário para depois gastar nalgum capricho idiota.


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