ENTREVISTA COM...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARCO

 

RODRIGUES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Secretário da Junta de Freguesia de Castedo

 

De Militar a Político...

 

Marco actualmente com 28 anos, deixou a escola para cumprir o Serviço Militar, onde continuou mais alguns anos, cumpriu ainda missões de paz no estrangeiro ao serviço do exército Português. Após ter deixado a carreira Militar, teve uma curta passagem pelas vendas de produtos nutricionais, sem tempo para respirar, ingressou como comercial numa empresa representante da marca Gillete - o que acontece ainda hoje - o ingresso nesta empresa representou uma nova fase na sua vida, já que, passou a residir em Vila Flor, por motivos de ordem profissional.

Em 2005 e juntamente com Altino Vasques, forma uma lista pelo Bloco de Esquerda - que encabeça -  à Junta de Freguesia de Castedo, onde é eleito Secretário, algum tempo depois, concorre na única lista ao Centro Recreativo e Cultural, onde actualmente ocupa o cargo de Vogal da Direcção. Reconhece que o tempo não chega para tudo, mas assegura que honrará os compromissos assumidos até ao final, tudo, em nome do amor que diz ter pela sua terra Natal.

 

 

 

Como principiante nestas andanças, que opinião tens da politica?

A Politica funciona como tudo na vida. Foi criada com o intuito de melhorar a vida das pessoas mas acaba por ser usada para beneficiar os interesses das pessoas que estão inseridas nesse meio que usam a politica e as várias instituições para alcançar os seus objectivos pessoais e de uma certa maneira de se afirmarem perante a sociedade. Os políticos entram num ciclo vicioso de que muito dificilmente se conseguem libertar. Não quero com estas afirmações, ofender sensibilidades, mas também digo que há uma excepção à regra e ainda se encontram, algumas, poucas pessoas que estão na politica de uma forma séria e honesta e que zelam pelo interesse das populações e dos mais desprotegidos. 

 

 

Como correu a adaptação ao cargo?

A adaptação ao cargo foi um tanto ao quanto atribulada, desde a falta de colaboração por parte dos cessantes, falta de informação sobre o trabalho que se vinha a desenvolver anteriormente, falta de documentação onde pudesse encontrar informações relevantes sobre os problemas pendentes e acordos efectuados.

Se a estas razões juntarmos alguma ingenuidade da minha parte e falta de conhecimento sobre o funcionamento das instituições - ou pensava eu que funcionavam de uma forma diferente - então poderemos ter uma pequena ideia da confusão que se gerou em redor da minha pessoa e das minhas obrigações. Mas passado algum tempo consegui contornar e aperceber-me do funcionamento das situações.

 

 

Que balanço fazes, um ano após teres iniciado funções na Junta de Freguesia?

O balanço que faço, dadas as circunstâncias financeiras que encontramos na Junta, é de que foi um ano de difícil governação. Digo a toda a gente que nós iniciamos o mandato com algum dinheiro do anterior executivo, mas esse dinheiro já tinha como destino pagar uma obra e um serviço, determinados pelo anterior executivo.

Como vêem, começamos com pouco mais que zero, ou seja, depois de pagar essas dividas, o saldo restante não dava para pagar as despesas correntes para o normal funcionamento da Junta. Foi necessário lutar para que a Câmara Municipal nos algumas das quantias orçamentadas para a nossa Freguesia, e esperar que viesse parte da verba do FFF (Fundo de Financiamento das Freguesias), o que aconteceu mais tarde do que estava previsto, e entrou às prestações e por períodos muito alargados.

Como é do conhecimento geral, a conjuntura económica do País é bastante difícil e as instituições que devem apoiar as Freguesias, não o estão a fazer da forma que gostaríamos.

Sou apologista da contenção e não de contribuir para a criação de dividas. 

 

 

 Globalmente, foi positivo?

Como referi anteriormente, e dadas as circunstâncias e condições financeiras posso afirmar que sim, globalmente foi positivo!

 

 

O que destacas deste ano, no que se refere a resultados práticos?

Os resultados práticos foram alguns. Este executivo começou por tentar resolver alguns problemas que se vinham arrastando há já algum tempo. Esses problemas estavam a prejudicar a Freguesia e as pessoas, o exemplo disso foi o impasse que se criou em torno da estrada de ligação do Castedo para o Tua e ainda hoje não está concluída.

 

 

Não consideras que num ano, o trabalho desenvolvido, nomeadamente prático fica muito aquém, das expectativas?

Depende da forma de análise e da óptica das pessoas. Se tivermos em conta o trabalho realizado, digo que não fica aquém das expectativas. Se tivermos em conta o resultado desse trabalho, então sim, ficou além das expectativas, quero com isto dizer que se fez trabalho que ainda não deu frutos, pois esses frutos dependem dos apoios e pareceres de outras instituições independentes da Junta de Freguesia. Esses apoios são fundamentais para que se possa colher os frutos de trabalho já realizado, nomeadamente duas candidaturas que efectuamos e que aguardam apoios financeiros.

 

 

Tendo em conta que é uma coligação, como têm corrido as relações politicas?

No início não foram muito cordiais, principalmente na Câmara Municipal de Alijó. Mas conseguiu-se contornar essa situação com o apoio influente de algumas pessoas.

Com os membros de outras forças politicas, tivemos que limar algumas pontas soltas, mas ultrapassamos isso, apesar de alguma dificuldade. Passado algum tempo já estamos em melhor sintonia.

 

 

Existe colaboração interna, ou seja, entre os três membros do executivo?

Posso dizer, que actualmente, sim. Apesar das divergências naturais que vão surgindo, o resultado é que estamos em sintonia.

 

 

Subsiste a ideia da falta de entendimento entre o executivo, ou seja, dificilmente há consenso. Isto prejudica o normal funcionamento da Junta?

Não sei com que fundamento essas ideias subsistem, pois como já referi anteriormente, estamos a trabalhar à sensivelmente um ano e ultrapassamos as divergências com alguma naturalidade. Essa ideia, na minha óptica não tem razão de ser, na medida que pomos os interesses da Freguesia em primeiro lugar. O funcionamento da instituição decorre actualmente com normalidade.

 

 

Existe um natural desalento da população, com o trabalho desenvolvido… Tens consciência disso?

É natural que isso ocorra, uma vez que sempre que algo muda, as pessoas esperam que mude rapidamente, ora como diz o velho provérbio, Roma e Pavia não se fizeram num dia. É necessário que nos dêem tempo para podermos desenvolver o nosso trabalho. As velhas massas têm sempre razão, Deus que era Deus não agradou a todos. Tenho a certeza que esse desalento não é generalizado. Nem toda a gente é dessa opinião. Quem conhecer os problemas da Freguesia sabe que nós estamos a desenvolver esforços para os minimizar e resolver.

 

 

O facto de só o Presidente residir na freguesia e os restantes membros passarem a maior parte do tempo fora, tem suscitado criticas. É considerado um dos factores principais, para o fraco ano da Junta de Freguesia. O que pensas sobre isso?

Quem disse isso? Ainda não tive ninguém que me dissesse isso directamente. Não sei, não sou hipócrita, se eu visse que não tinha hipótese de exercer as minhas funções ou que iria prejudicar a Freguesia, nunca me tinha candidatado. Até porque encabecei uma lista em que faziam parte dela pessoas que não se encontravam na Freguesia durante a semana mas que, deram todo o seu apoio e contributo.

    Além de que, quem está temporariamente fora tem perspectivas e formas diferentes de analisar as coisas. Estão

permanentemente dois dos três membros da Junta presentes junto da população. Além de que há muitos problemas etrabalhos que se resolvem fora da Freguesia, mas sim junto das instituições do poder central, regional, municipal entre outras. Agora as pessoas são livres de criticar e ainda bem que assim é, pois não podemos esquecer o facto de que vivemos numa democracia, desde o 25 de Abril de 1974.

 

 

Aproximadamente, qual o valor das verbas recebidas neste último ano?

As verbas recebidas neste último ano,  foram de aproximadamente 28 mil euros.

 

 

Onde foram aplicadas essas verbas?

Para além de parte desse valor ter servido para pagar as despesas correntes da Junta de Freguesia, foi atribuída uma verba às escolas, três verbas ao Centro Recreativo e Cultural do Castedo, foram ainda realizados trabalhos de requalificação dos caminhos agrícolas e por fim foi criado um plafon para que esta Junta pudesse realizar trabalhos futuros e ter uma certa independência financeira relativamente a outras instituições.

Também é de bom-tom referir que foram adquiridos diversos equipamentos para um melhor funcionamento desta Junta.

 

 

Que obras há a destacar no próximo ano?

Estamos a elaborar um plano de actividades, para discutirmos esse assunto junto da Câmara Municipal. No entanto, estamos a lutar para que se insira o assunto relativo ao caminho da Santa Marinha, pois desejamos requalificar, de uma vez por todas, esse caminho. Também lutamos pela construção de um Gimnodesportivo, mas infelizmente temo-nos deparado com muitas dificuldades, no entanto vamos continuar a nossa luta, de forma a vencermos.

 

 

Qual relação com a Câmara Municipal?

A nossa relação com a Câmara Municipal é normal, dentro dos possíveis.

A Câmara tem colaborado com a Junta para a resolução de certos problemas, como também nos tem fechado a porta perante outros.

 

 

Na última entrevista (em Junho de 2005), o Presidente da Junta dizia “Se nos pedirem ajuda (CRCC), é com o maior prazer que a JF os apoiará, isto, enquanto eu for Presidente.”

A reactivação do CRCC, veio agitar a “Cultura” na freguesia! A Junta de Freguesia está mesmo disposta a colaborar activamente com o Centro?

Relativamente à essa entrevista não me vou pronunciar na medida em que não tive conhecimento dela.

Não sei o que foi dito, no entanto devo relembrar que desde alguns anos atrás que o Centro Recreativo e Cultural do Castedo não tem tido tanto apoio da Junta como durante o ano 2006. Devo referir, que relativamente ao que me diz respeito irei sempre que possível, colaborar com o nosso Centro. Torna-se interessante e importante que estas duas instituições colaborem juntas de modo a dinamizar a nossa terra e a nossa gente. Já demos provas que estamos em colaboração com  Centro e a sua Direcção.

Aproveito agora para dar os meus parabéns e mostrar publicamente o meu reconhecimento à Direcção do Centro, que muito tem feito em prol da Cultura e das pessoas da nossa Freguesia.

 

 

De futuro, o que podem os Castedenses esperar da Junta?

Eu sou responsável pelos meus actos e falo por mim. Vou continuar a seguir os

meus ideais de Justiça em prol da Freguesia. O meu empenho e dedicação continuam iguais desde do dia em que assumi o cargo.

Este executivo deve continuar de mãos dadas para que possamos realizar um trabalho digno junto da nossa população, e possamos fazer do Castedo uma terra de futuro e para que as próximas gerações gostem tanto do Castedo como eu o Amo e que se encham de orgulho quando se fala do nosso Castedo.